Moody’s melhora perspectiva de Angola para positiva com inflação a cair para 8,8% e dívida abaixo de 47% do PIB

Redação Click
3 de Leitura
Moody\'s

A Moody’s Ratings reviu a perspectiva do rating soberano de Angola de estável para positiva, mantendo a classificação de emissor de longo prazo e da dívida sénior não garantida em moeda estrangeira em B3.

A decisão assenta na maior estabilidade macroeconómica demonstrada pelo país, tanto em períodos de preços elevados do petróleo como em fases de queda das cotações.

Entre os principais indicadores destacados pela agência: a inflação desceu para 8,8% em Agosto, face a 19% um ano antes; o kwanza mantém-se estável desde o final de 2024, em torno de 912 por dólar; e as reservas cambiais rondam os 13 mil milhões de dólares. A liquidez em dólares no mercado interno continua a aumentar.

Na economia real, o sector não petrolífero cresceu acima de 5% nos últimos dois anos, contribuindo para um crescimento do PIB de 8,7% em termos homólogos no segundo trimestre de 2026.

Dívida pública em trajectória descendente

A dívida pública caiu de 53% do PIB em 2024 para 46,9% em 2025, devendo situar-se perto de 46% no final de 2026 e de 45,6% em 2027. Os juros deverão absorver cerca de 23% da receita pública. Os défices fiscais, embora maiores do que em 2023-2024, são considerados moderados pela agência.

Tectos soberanos elevados; subida do rating condicionada às reformas

A Moody’s elevou os tectos de risco soberano: o limite em moeda local passou de B1 para Ba3 e o limite em moeda estrangeira passou de B3 para B2.

A agência adverte, no entanto, que uma eventual subida do rating depende da continuidade das reformas — em particular da eficácia das políticas monetária e cambial e do apoio à actividade não petrolífera. Com estas reformas, Angola ficaria menos exposta a choques externos e à volatilidade do crude, reforçando o seu perfil de crédito.

A distância de três níveis entre o tecto em moeda local e o rating soberano reflecte o peso ainda significativo do Estado na economia, a previsibilidade limitada das instituições e das políticas públicas, e a dependência dos hidrocarbonetos nos sectores público e privado. A diferença de dois níveis entre os tectos em moeda local e estrangeira reflecte as restrições à conta de capital e a vulnerabilidade às pressões cambiais em momentos de stress externo.

Foram igualmente confirmados o rating (P)B3 do programa de MTN sénior não garantido e a notação de curto prazo Not Prime (NP) para dívida estrangeira e doméstica.

Compartilhe
Nenhum comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *