Segundo maior produtor da OPEP ameaça abandonar cartel por quotas insuficientes

Redação Click
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Iraque considera sair da OPEP após Angola e Emirados Árabes Unidos

O Iraque — segundo maior produtor da OPEP e um dos cinco membros fundadores — avisou que poderá abandonar o cartel caso a Arábia Saudita não aceite um aumento substancial da sua quota de produção. A possibilidade surge menos de dois meses após a saída dos Emirados Árabes Unidos, que puseram fim a seis décadas de participação, e dois anos e meio depois da retirada de Angola, em dezembro de 2023.

A ameaça iraquiana ocorre num momento delicado para a organização, que tem vindo a perder membros de forma constante na última década. Após as saídas do Qatar (2018) e do Equador (2020), Angola abandonou o cartel rejeitando os cortes de produção impostos, alegando que a quota de 1,10 milhões de barris diários era incompatível com as suas metas de produção — uma decisão que inspirou movimentos subsequentes.

Os Emirados Árabes Unidos replicaram a estratégia angolana em abril deste ano, citando igualmente descontentamento com as quotas atribuídas. A queixa de Luanda espelha-se agora nas declarações de Bagdade.

Impacto potencial no cartel

Uma eventual saída do Iraque teria consequências significativas para a capacidade de influência da OPEP sobre os preços globais do petróleo. Em conjunto, Iraque e Emirados Árabes Unidos produzem 8 milhões de barris diários — 27% da produção total do cartel. A perda desta quota reduziria drasticamente o poder de mercado da organização, num contexto já mais competitivo desde o auge da produção de petróleo de xisto nos Estados Unidos.

Angola é vista pelos analistas como o primeiro membro a inaugurar uma sucessão de saídas que agora ameaça o segundo maior produtor da OPEP.

Posição oficial e pressão interna

A Reuters informou, em exclusivo, que fontes próximas à política petrolífera iraquiana indicaram que Bagdade já avaliou a hipótese de deixar a organização. Horas depois, o Ministério do Petróleo iraquiano desmentiu a informação, afirmando que as notícias não refletiam a posição oficial do governo. Quando questionado, um dirigente do ministério declarou que “ainda é prematuro dar esse passo”.

Apesar do recuo público, a mensagem interna persiste. “Arábia Saudita e outros aliados da OPEP devem tratar este assunto com a máxima seriedade. Caso contrário, o Iraque será obrigado a considerar todas as opções disponíveis”, terá afirmado a mesma fonte à Reuters — um discurso que ecoa a carta-protesto angolana enviada ao secretariado da OPEP em novembro de 2023.

Crise económica e bloqueio nas exportações

Por detrás da pressão, a economia iraquiana enfrenta dificuldades estruturais. O país depende do petróleo para a maioria da sua receita, fortemente reduzida desde que a guerra entre Israel e o Irão bloqueou as exportações através do Estreito de Ormuz.

A quota oficial de julho é de 4,378 milhões de barris diários, mas a produção real ficou muito abaixo desse nível. Em maio, o Iraque produziu apenas 1,48 milhão de barris por dia, comparado com quase 4,2 milhões em fevereiro, antes do início do conflito. O porta-voz Haider al-Aboudi afirmou que Bagdade pretende restabelecer a capacidade total de exportação e elevar a produção a 7 milhões de barris diários nos próximos anos.

OPEP tenta conter fragmentação

Embora a retórica tenha aumentado, a OPEP procura conter a situação. O Ministério do Petróleo iraquiano declarou que o cartel começou a restaurar gradualmente as alocações de produção anteriores à guerra, medida que Bagdade considera crucial para reforçar a capacidade produtiva.

As avaliações em curso na OPEP+ — que reúne membros do cartel, Rússia e outras nações produtoras — visam definir novas bases de produção para 2027, numa tentativa de acomodar as pressões internas sem comprometer a disciplina de quotas.

Precedente angolano torna-se referência

O precedente angolano deixa de ser um episódio isolado e torna-se referência obrigatória em análises sobre a coesão da OPEP. O desafio ao cartel, fundado em Bagdade há 66 anos, segue agora um padrão inaugurado por Angola e reforçado pelos Emirados Árabes Unidos — dois produtores que optaram pela autonomia de produção em detrimento da disciplina de quotas.

A fragmentação progressiva da OPEP levanta questões sobre o futuro da organização num mercado petrolífero global cada vez mais diversificado e menos dependente da coordenação entre produtores tradicionais.

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