O custo de financiamento externo de Angola nos mercados internacionais de dívida registou uma melhoria significativa. O yield da obrigação soberana angolana em eurobonds — com maturidade em Abril de 2032 e cupão de 8,750% — situava-se em 8,12% a 5 de Agosto, segundo dados da Bloomberg, uma queda de 3,182 pontos percentuais desde o início do ano.
A variação manteve-se idêntica quer no espaço de um mês, quer ao longo de um ano, sinal de estabilidade na trajectória de descida do custo de financiamento do Estado angolano.
Angola entre os custos mais moderados de África
Comparativamente aos demais países africanos com obrigações em circulação nos mercados internacionais, Angola apresenta actualmente um dos custos de financiamento mais moderados do continente, posicionando-se próximo da Costa do Marfim (5,24%) e da África do Sul (7,42%), ainda que ligeiramente acima de ambos.
Ao longo do último ano, o yield angolano oscilou entre um mínimo de 9,097% e um máximo de 14,752%, amplitude que reflecte a volatilidade a que a dívida soberana do país esteve sujeita no período.
Nigéria, Senegal e Moçambique no topo dos custos africanos
No extremo oposto, a Nigéria surge como o país de maior custo de financiamento em todo o continente, com um yield de 15,50% na obrigação com maturidade em 2042, seguida do Senegal (13,84%) e de Moçambique (12,26%).
Estes três países registaram máximos particularmente elevados ao longo do último ano — de 19,251% no caso nigeriano e de 15,959% no moçambicano —, reflectindo as dificuldades financeiras e os riscos de incumprimento que os investidores internacionais continuam a associar a estas economias.
RDC e Etiópia com quedas mais acentuadas
A República Democrática do Congo e a Etiópia registaram as quedas de yield mais expressivas ao longo do último ano, com variações de -6,806% e -48,073%, respectivamente, sendo esta última ainda mais acentuada desde o início do corrente ano.
Descidas desta magnitude poderão indicar uma melhoria substancial na percepção de risco associada à dívida destes dois países, ou processos de reestruturação da dívida que tenham alterado de forma significativa as condições dos títulos em causa.
Importa assinalar que diversos países africanos — nomeadamente o Gabão, o Gana, o Quénia, a Namíbia, as Seychelles e a Zâmbia — não dispõem actualmente de dados disponíveis, facto que poderá dever-se à ausência de obrigações soberanas activas nos mercados internacionais ou a processos de reestruturação de dívida em curso.
Os dados da Bloomberg confirmam, de forma geral, a tendência de melhoria nas condições de financiamento externo de diversas economias africanas ao longo do último ano, num contexto de maior apetite dos investidores internacionais pela dívida dos mercados emergentes e de fronteira.
