Economista alerta para riscos de privatização da Sonangol sem garantias para interesses nacionais

Redação Click
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O economista Pedro Canjama defende que a entrada de investidores privados no capital da Sonangol deve ser feita com prudência, considerando que a abertura de até 30% do capital social da petrolífera nacional exige uma avaliação cuidadosa dos desafios operacionais e das responsabilidades públicas assumidas pela empresa.

A posição surge depois de a Sonangol confirmar o adiamento da dispersão das suas ações em bolsa, mantendo, contudo, o plano de privatização parcial. A empresa justificou a decisão com a necessidade de ultrapassar constrangimentos relacionados com as suas obrigações públicas, sobretudo o papel que desempenha no sistema de subsídios aos combustíveis em Angola.

Investidores privados exigem maior eficiência

Segundo Pedro Canjama, a cautela demonstrada pela administração da Sonangol é compreensível, uma vez que novos acionistas privados tendem a exigir maior eficiência e menor tolerância a prejuízos operacionais.

O economista explicou que parte dos resultados negativos da empresa podem estar associados à política social de apoio aos combustíveis, financiada pelo Executivo, alertando que uma eventual retirada desse suporte poderia provocar uma subida significativa dos preços praticados nos postos de abastecimento.

Para Canjama, o aumento dos preços dos combustíveis teria efeitos em cadeia na economia nacional, podendo elevar os custos de produção, transporte e consumo, num momento em que Angola procura acelerar o processo de diversificação económica.

Aguardar entrada em funcionamento de refinarias

“É prudente que a Sonangol assim o faça”, afirmou o especialista, defendendo que a empresa deve aguardar por maior estabilidade, incluindo a entrada em funcionamento das refinarias em construção e das unidades já concluídas.

O economista sublinhou ainda que a Sonangol é a maior empresa angolana e que qualquer processo de privatização deve salvaguardar os interesses económicos do país.

Risco de transferência de dividendos para o exterior

Na sua análise, caso uma parcela significativa dos 30% do capital seja adquirida por investidores estrangeiros, parte dos dividendos gerados pela atividade da empresa poderá ser transferida para o exterior, reduzindo o Produto Nacional Bruto (PNB), apesar de a riqueza continuar a ser produzida em Angola.

Pedro Canjama considera, por isso, que a abertura do capital da petrolífera deve ser conduzida de forma estratégica, garantindo equilíbrio entre a necessidade de captar investimento privado e a preservação dos interesses nacionais.

Contexto da privatização

A Sonangol está incluída no Programa de Privatizações de Ativos do Estado (PROPRIV), mas o processo tem sido sucessivamente adiado devido a questões operacionais, regulatórias e à necessidade de clarificar o papel da empresa enquanto operadora nacional e gestora de políticas públicas (nomeadamente subsídios aos combustíveis).

A privatização parcial visa atrair investimento, melhorar governação corporativa e profissionalizar a gestão, mas levanta questões sobre compatibilidade entre objetivos comerciais (rentabilidade para acionistas) e obrigações de serviço público.

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