BNA reduz taxa de juro de referência para 15,75% face à desaceleração da inflação

Redação Click
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O Comité de Política Monetária (CPM) do Banco Nacional de Angola (BNA) decidiu reduzir a taxa básica de juro (Taxa BNA) de 17,00% para 15,75%, durante a sua 130.ª Reunião realizada na província de Malanje. A medida, fundamentada na desaceleração consistente da inflação e na perspetiva de manutenção desta tendência no curto prazo, visa ajustar as condições monetárias ao cenário macroeconómico atual do país.

Para além da taxa de referência, o banco central angolano reduziu igualmente a taxa de juro da Facilidade Permanente de Cedência de Liquidez, que passou de 18,00% para 16,75%, e a taxa da Facilidade Permanente de Absorção de Liquidez, fixada agora em 14,75%, anteriormente estabelecida em 16,00%.

De acordo com o comunicado oficial do encontro, a evolução favorável dos preços no mercado nacional deu suporte técnico para este alívio na política monetária — o mais expressivo desde o início do ciclo de descidas.

Inflação em queda apoia flexibilização monetária

No domínio dos preços, a inflação homóloga em Angola manteve a sua trajetória descendente, situando-se em 10,11%. A desaceleração foi observada em todo o território nacional, com destaque para dez províncias que já registam taxas de inflação de um único dígito, como Huambo, Lunda-Norte, Cunene e Cuanza-Norte.

A província de Luanda também registou uma inflação de um dígito, fixando-se em 9,96% em junho de 2026, refletindo o menor ritmo de crescimento nos preços da classe de alimentação e bebidas não alcoólicas — um dos principais componentes do Índice de Preços no Consumidor (IPC).

Contexto internacional e mercado petrolífero

No plano internacional, o cenário ainda é marcado por incertezas, influenciado sobretudo pelo conflito no Médio Oriente, que pressiona as cadeias de abastecimento e mantém riscos inflacionistas globais. O Fundo Monetário Internacional (FMI) reviu em baixa o crescimento mundial para 3,0% e elevou a projeção da inflação global para 4,70%.

No mercado de matérias-primas, o preço do petróleo Brent registou uma queda de 18,72%, cotado a 84,56 dólares por barril em junho — um fator que alivia pressões sobre a balança de pagamentos angolana, mas reduz receitas fiscais do setor petrolífero.

Crescimento económico robusto no primeiro trimestre

No contexto nacional, o Produto Interno Bruto (PIB) angolano cresceu 5,32% no primeiro trimestre de 2026, impulsionado pelo desempenho robusto do setor não petrolífero, que registou um crescimento de 6,22%, enquanto o setor petrolífero contraiu 0,21%.

O BNA estima que o crescimento acumulado do primeiro semestre tenha atingido 4,09%, suportado pela dinâmica das atividades fora do setor petrolífero — um indicador positivo para a diversificação económica.

Setor externo apresenta saldo positivo

No setor externo, a conta de bens apresentou um saldo acumulado positivo de 10,56 mil milhões de dólares até junho, beneficiando da melhoria dos termos de troca e do aumento do valor das exportações.

As Reservas Internacionais fixaram-se em 14,93 mil milhões de dólares, garantindo uma cobertura de 6,20 meses de importações de bens e serviços — um nível confortável segundo padrões internacionais.

Projeções revistas: inflação a 8,6% e crescimento a 3,6%

Diante deste quadro de estabilidade e sem pressões inflacionistas imediatas, o Comité de Política Monetária reviu em baixa a projeção da inflação para 8,6% até ao final do ano, com uma margem de variação de um ponto percentual. Adicionalmente, a previsão de crescimento do PIB para 2026 foi revista em alta para 3,6%.

A concretização da meta de inflação inferior a 10% ao ano representaria um marco histórico para Angola, consolidando a trajetória de estabilização macroeconómica e abrindo espaço para descidas adicionais da taxa de juro.

Os membros do CPM voltam a reunir-se em Luanda nos dias 14 e 15 de setembro para reavaliar a conjuntura económica nacional.

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