Angola desembolsa cerca de 40 milhões de dólares por ano na importação de equipamentos e materiais de pesca, um montante que o Executivo pretende converter em oportunidades de investimento e estímulo à indústria nacional.
O dado foi revelado pelo secretário de Estado para o Investimento Público, Ivan dos Santos, durante a apresentação da 3.ª edição da Cimeira de Alto Nível sobre Economia Azul, que arrancou esta quarta-feira, 22, em Luanda.
A estratégia governamental passa por reduzir a dependência externa e criar condições para que empresas nacionais e estrangeiras invistam na produção local de equipamentos destinados ao sector das pescas.
“Angola gasta ou consome à volta de 40 milhões de dólares só a importar material de pesca. O que nós queremos é transformar este investimento, este gasto do Governo em termos de importação, em oportunidades de investimento”, afirmou Ivan dos Santos.
Economia azul como pilar da diversificação
O governante explicou que a diversificação da economia angolana inclui o aproveitamento estratégico dos recursos marinhos, defendendo que o sector possui elevado potencial para atrair capitais e gerar novas oportunidades de negócio.
A Cimeira da Economia Azul, que reúne representantes nacionais e internacionais, tem como objectivo mobilizar o sector privado para áreas como pesca industrial, aquicultura, transformação de pescado, logística e infraestruturas de apoio.
Ivan dos Santos destacou a criação de incentivos fiscais e mecanismos de financiamento destinados a aumentar a participação de empresários nacionais no sector.
Entre os projectos em curso, o secretário de Estado apontou a instalação de cadeias de frio e plataformas logísticas, incluindo a infraestrutura prevista no município da Caála, província do Huambo, vocacionada para apoiar actividades agrícolas, produção de tilápias e outras cadeias produtivas.
Pescas representam 2,8% do PIB
Sobre o peso da actividade pesqueira na economia nacional, Ivan dos Santos revelou que o sector contribuiu com cerca de 2,8% para o Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre deste ano, um resultado considerado expressivo face ao histórico da actividade.
O Executivo espera que a economia azul amplie a participação dos recursos marinhos no crescimento económico do país, através de maior investimento privado e valorização da produção nacional.
