O Produto Interno Bruto (PIB) angolano registou um crescimento de 5,32% no primeiro trimestre de 2026, impulsionado pela contribuição positiva do setor não petrolífero, que cresceu 6,22%. Em contrapartida, o setor petrolífero registou uma contração de 0,21%.
Os dados foram apresentados esta terça-feira pelo Governador do Banco Nacional de Angola (BNA), Manuel Tiago Dias, em conferência de imprensa após a conclusão da 130.ª Reunião do Comité de Política Monetária (CPM), realizada de 13 a 14 do corrente mês, na cidade de Malanje.
Setor não petrolífero sustenta crescimento
“A tendência está em linha com as estimativas do BNA com base no indicador mensal de atividade económica, que aponta para um crescimento acumulado de 4,09% no primeiro semestre de 2026, com realce ao setor não petrolífero, cujo crescimento se fixou em 4,4%”, afirmou o governador.
O desempenho robusto do setor não petrolífero — que inclui agricultura, indústria transformadora, construção, comércio e serviços — representa um sinal positivo para a diversificação económica de Angola, reduzindo a dependência estrutural do petróleo.
Inflação mantém trajetória descendente
No plano da inflação, Manuel Tiago Dias sublinhou que o Índice de Preços no Consumidor (IPC) mensal fixou-se em 0,52% em junho de 2026, inferior aos 0,53% observados em maio. O cenário reflete a desaceleração dos preços da classe de alimentação e bebidas não alcoólicas, que recuaram de 0,68% para 0,64%.
A taxa de inflação homóloga manteve a sua trajetória descendente, situando-se em 10,11%, o que reflete uma desaceleração generalizada em todo o território nacional. O BNA reviu a projeção de inflação para 8,6% até ao final do ano, com margem de variação de um ponto percentual — consolidando a expectativa de convergência para inflação de um dígito.
Implicações macroeconómicas
O crescimento de 5,32% no primeiro trimestre representa o melhor desempenho trimestral em vários anos, reforçando a perspetiva de que Angola está a consolidar a retoma económica após o período de recessão registado entre 2016 e 2020.
A combinação de crescimento robusto no setor não petrolífero, inflação em queda e estabilização macroeconómica cria condições favoráveis para a continuidade do ciclo de descidas da taxa de juro de referência — como confirmado pela redução de 17% para 15,75% anunciada pelo CPM.
