A estreia da Oferta Pública de Venda (OPV) de 15% do capital social da Unitel provocou quedas generalizadas nas ações cotadas na Bolsa de Dívida e Valores de Angola (BODIVA). Analistas identificam o movimento como uma reação típica de “realocação de carteiras”, com todas as empresas listadas a registar perdas significativas num mercado com liquidez estruturalmente limitada.
A BODIVA conta atualmente com apenas cinco empresas cotadas — Banco Angolano de Investimentos (BAI), Banco de Fomento Angola (BFA), Banco Caixa Geral Angola (BCGA), ENSA Seguros e a própria bolsa — revelando ainda a reduzida profundidade e liquidez do mercado de capitais angolano. A inclusão da Unitel, como sexta empresa cotada, marca um dos maiores marcos de expansão da praça financeira nos últimos anos.
Realocação de carteiras em mercado de baixa liquidez
Especialistas consultados pela revista Economia & Mercado apontam que a desvalorização generalizada resulta não só do elevado prémio de atratividade atribuído à Unitel, mas também da escassez estrutural de liquidez que persiste no mercado. Sem novas injeções de capital, investidores institucionais e de retalho veem-se obrigados a liquidar posições existentes para garantir recursos destinados à subscrição da nova OPV.
Por volta das 14h, o Banco Caixa Geral Angola (BCGA) liderou as perdas diárias, recuando 13,04% e cotando a 20 mil kwanzas. O Banco Angolano de Investimentos (BAI), título mais líquido do mercado, desvalorizou-se 6,53%, ficando a 93 mil kwanzas por ação.
BFA, ENSA e BODIVA também em queda
O Banco de Fomento Angola (BFA), que ingressou na bolsa em setembro de 2025 mediante a venda de 29,75% do capital no âmbito do programa PROPRIV, registou queda de 3,35%, fixando-se a 101 mil kwanzas.
No setor segurador, a ENSA — única representante na bolsa — viu a cotação recuar 2,94%, estabelecendo-se a 33 mil kwanzas. As ações da própria BODIVA registaram decréscimo mais moderado, de 0,63%, encerrando a 79.500 kwanzas.
Implicações para o mercado
O comportamento do mercado evidencia a fragilidade estrutural da BODIVA, onde a entrada de um novo ativo de grande dimensão provoca realinhamento imediato de carteiras devido à ausência de liquidez suficiente para acomodar novas posições sem venda de ativos existentes.
Para analistas de mercado, o movimento confirma a necessidade de aprofundamento da base de investidores e de aumento da liquidez disponível, fatores essenciais para que o mercado de capitais angolano possa absorver novas emissões sem provocar volatilidade excessiva nos títulos já cotados.
