O Governador do Banco Nacional de Angola (BNA), Manuel Tiago Dias, reafirmou esta segunda-feira, 13, que a inflação no país continua numa trajetória descendente e admitiu que a meta de alcançar uma taxa de um dígito poderá ser atingida nos próximos meses. As declarações foram feitas na província de Malanje, durante a abertura da reunião do Comité de Política Monetária (CPM), órgão responsável por analisar a evolução da economia nacional e internacional e definir a orientação da política monetária, incluindo as taxas de juro para os próximos 45 dias.
Segundo Manuel Tiago Dias, os indicadores económicos continuam a evidenciar uma desaceleração da inflação, resultado das medidas de política monetária implementadas pelo Banco Nacional de Angola, em coordenação com outras políticas económicas.
Comité de Política Monetária decide sobre taxas de juro
A reunião do Comité de Política Monetária decorre num contexto em que o banco central acompanha a evolução dos preços, da taxa de câmbio, da liquidez do sistema financeiro e do comportamento da economia, com vista a assegurar a estabilidade macroeconómica.
Durante o encontro, os membros do comité deverão avaliar o desempenho da economia angolana, bem como os riscos associados ao cenário internacional, antes de anunciar a decisão sobre as taxas de juro de referência que vigorarão nos próximos 45 dias — uma decisão determinante para o custo do crédito, investimento e consumo.
Impacto da inflação na economia
A evolução da inflação é um dos principais indicadores acompanhados pelo BNA, tendo impacto direto no poder de compra das famílias, nos custos de financiamento da economia e nas decisões de investimento. Nos últimos meses, o banco central tem defendido que a manutenção de uma política monetária prudente tem contribuído para a redução gradual da inflação.
O regresso a uma taxa de inflação de um dígito representaria um marco significativo para a economia angolana, que registou níveis de inflação de dois dígitos durante períodos prolongados nas últimas décadas. A convergência para taxas inferiores a 10% ao ano facilitaria o planeamento económico, reduziria a incerteza e poderia permitir ao BNA retomar um ciclo de descidas da taxa de juro de referência de forma mais acentuada.
Contexto de política monetária divergente
A expectativa de alcançar inflação de um dígito surge num momento em que o BNA mantém uma trajetória de descidas da taxa de juro de referência divergente dos principais bancos centrais globais — um movimento possível devido à desaceleração inflacionária no país, apesar de fatores externos como o custo da energia continuarem a pressionar os preços ao consumidor.
A decisão do CPM sobre as taxas de juro será conhecida nos próximos dias e será determinante para avaliar a confiança do banco central na consolidação da trajetória desinflacionária.
